“because the world is round” fui parar em Nova Jersey . . .

Pedagogia Waldorf (1)

Este será o primeiro artigo de uma série dedicada à pedagogia Waldorf. Aqui irei apenas passar para vocês a impressão que tivemos nos primeiros contatos com tal pedagogia.

Nossa introdução se deu numa palestra que ouvimos muitos e muitos anos atrás. Éramos casados mas nem pensávamos em ter filhos. Ao fim da palestra, do saudoso Dr. Rudolph Lanz, olhamos um para o outro com os olhos ainda vidrados de entusiasmo por esse sistema tão diferente e ao mesmo tempo tão lógico que marcamos a seguir uma visita à Escola Rudolph Steiner, em SP – a pioneira em implantar tal pedagogia no Brasil tendo como co-fundador o do Dr. Lanz. A escola nos pareceu um sonho, numa área que mais parecia um sitio com os prédios em meio as árvores, arbustos e flores, o caramanchão protejendo os jovens no recreio, o jardim da infância numa área reservada e suas várias classes onde as professoras mais pareciam pertencer à família das crianças tal o clima acolhedor e livre de formalidades e ao mesmo tempo um ninho mágico com seus brinquedos de madeira, muita seda, lã, sementes, cores. E para completar o nosso esturpor visitamos as oficinas em que os jovens aprendem encadernação, litrogravura, trabalho com metais, escultura, lapidação de pedras, estamparia de tecidos, entre outras. Em algumas dessas oficinas, pudemos constatar como os jovens estavam envolvidos no que faziam e a atmosfera de camaradagem e vigor existente no local. Ainda ou fundo podíamos ouvir o som de um ensaio de violinos, em outro canto o coral, em outro o ritmado repetir de taboadas.

Ao sairmos da escola nos olhamos e dissemos juntos: “Era aí que eu devia ter estudado”. Já não me lembro quem disse para quem, mas naquele momento decidimos que se viéssemos a ter um filho, estudaria ali. Alguns anos depois, e no dia seguinte ao nascimento de nosso filho o David fez a inscrição dele para dali a quatro anos. Não, não foi exagero. A lista de espera era enorme naquela época e provavelmente continua sendo.

Quando o André começou o Jardim, eu participei do Seminário de Formação de Professores Waldorf. Este foi um ano inesquecível. Todas as vivências, não só intelectuais mas principalmente as artísticas me fizeram conhecer um lado meu até então oculto. Aprendi a olhar o mundo com mais interesse e respeito – passei a me maravilhar com os diferentes tons de verde num parque, com o formato das montanhas, com a grandeza e ao mesmo tempo minuciosidade do mundo animal e aprofundar meu conhecimento sobre educação. Por vários motivos, me furtei do privilégio de ser uma professora Waldorf oficial, porém sei que o fui para André e para parentes, amigas, filhos das amigas porque o que se aprende ali torna-se parte integrante de nosso ser. E este é o motivo pelo qual estarei escrevendo aqui sobre tão valiosa pedagogia.

O que a pedagogia Waldorf tem de diferente? Ela parte do princípio que nós, seres humanos, somos compostos de corpo, mente e espíro e Rudolf Steiner, seu criador, foi capaz de não só perceber isso mas desenvolver um caminho para o desenvolvimento harmônico desses três aspectos, mas isso é o que será abordado no futuro.

Para ver e aguçar a curiosidade

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