Pérolas Preciosas (1)
“Justamente como o rio Ganges que inclina-se para o mar, declina-se em direção ao mar, flui em direcão ao mar, e vem a bater no mar, assim também essa companhia do Mestre Gotama com seus discípulos ascetas e seus discípulos leigos inclina-se em direção ao Nirvana, declina-se em direção ao Nirvana, flui em direção ao Nirvana, e vem a bater no Nirvana.” Tradução de Nissim Cohen, Ensinamentos do Buda, Devir Livraria, p. 473.
March 29, 2009 No Comments
Ginger – O Gato Esperto
Aqui raramente vemos animais domésticos soltos. Além da questão do frio, há também o risco deles pegarem carrapato infectado e o transmitirem para seu dono. Mas, qual não foi minha surpresa ao chegar em casa outro dia e encontrar um gato parecido com o da foto na porta à minha espera.
O gato de que falo tinha uma cara de coitado com uma orelha caída. Falei com ele e disse que ele esperasse que eu iria trazer comida e água. E não é que ele esperou! Comeu e foi embora. Depois desse dia, ele virou freguez. Depois de algumas semanas, ele até batia no painel de vidro que existe ao lado da minha porta! Batizei-o de Ginger. Muitas vezes o encontrei a minha espera no jardim.
Mas, eis que um dia ao chegar em casa vejo um rapaz conversando com Ginger no meu jardim. Eu, então, perguntei se o gato era dele. Ele riu e disse: “Não, ele é da minha vizinha. Ele se chama Barney e adora pedir comida de porta em porta. De vez em quando ele dorme na minha casa, sei que ele frequenta a sua porta e também a da esquina, e de outra casa atrás da sua”. Nós rimos com a esperteza desse bichano e eu pensando que ele era um coitado sem dono.
Alguns dias depois desse esclarecimento, ao sair vi um cartaz na caixa de correio de uma vizinha. Dizia: “Achei um gato branco e marron. Ele está na minha casa (nº 322, telefone xxx-xxxx).” E segui meu caminho rindo. Ao retornar para casa, David veio me contar que ao ver o cartaz ligou para resgatar a liberdade de Ginger. E a voz do outro lado, rindo, disse: “Eu sei, você é o terceito a ligar, eu já soltei o gato da comunidade”. Acho que quem riu mais foi o Ginger “pensando”: “O que eu não faço para esse povo se comunicar!”
March 28, 2009 1 Comment
Dicas de Passeios
Existem certos lugares próximos à cidade de Nova Iorque que raramente são visitados pelos turistas ou até mesmo imigrantes brasileiros. Penso que as nossas viagens turísticas não deviam se concentrar em nossa lista de compras, mas também incluir o que há de singular no local. Mesmo que tenhamos que pegar a estrada por 1 ou 2 horas, acho que vale a pena ver algo que dificilmente veremos em outro lugar.

A dica de hoje é Grounds for Sculputures. Este Jardim das Esculturas está localizado em Hamilton, Nova Jersey, foi criado pelo filantropista e escultor J. Seward Johnson e desde 1992 foi aberto para visitação pública. Numa área enorme, esculturas contemporâneas se mesclam com o paisagismo cuidadosamente planejado. As coleções externas são permanentes e as internas são ocasionais. No local também são promovidas palestras, cursos, workshops e shows para todas as idades.
Este com certeza será um passeio para o dia inteiro. No local existe um ótimo restaurante e também lanchonete. Minha área favorita ali é a dedicada as representações em tamanho natural de famosos quadros do impressionismo. Para quem gosta de arte e da natureza esta é uma experiência imperdível. Como chegar lá? Se você vier de carro é só seguir as instruções dadas na página oficial do Grounds for Sculpute dada acima. Você também pode alugar uma van se estiver em um grupo, não ficará tão caro. Outra opção é vir de trem – a partir da Penn Station tomar o trem da New Jersey Transit para Trenton, NJ, e então um taxi até o parque. Se esta for sua opção, não deixe de combinar com o motorista a hora que você deseja ir embora, pois aqui não há taxi circulando pelas ruas ou pontos de taxi a cada esquina.
March 27, 2009 No Comments
A Hora do Planeta 2009
Tomem nota e participem desse ato simbólico para uma tomada de consciência global da urgência de uma mudança de hábitos e modos de se lidar com o planeta em que vivemos.
March 26, 2009 No Comments
Rumo ao Casamento Ideal
Ontem escrevi sobre o treino eficaz ao qual os cachorros americanos são submetidos com seus donos tornando a convivência com os animais mais segura, satisfatória, e feliz. Pensando sobre isso me ocorreu que a maioria dos casamentos se desgastam pelas pequenas e recorrentes faltas dele e dela. Sabemos que ninguém é perfeito, mas não haveria um meio de nos irritarmos menos mutuamente? Poderiam as técnicas de treinar cachorros funcionar com a nossa outra metade?
Fazendo uma busca na internet, encontrei um artigo na Newsweek de 2008, “Como Treinar Seu Marido” da jornalista Jennie Yabroff. O artigo é um comentário do livro “O Que Shamu Me Ensinou Sobre a Vida, Amor e Casamento” de Amy Sutherland. A autora diz que a técnica funciona para ambos os sexos. No seu experimento, depois de muita frustração com os maus hábitos do marido ela decidiu por o treino canino em teste. Ela experimentou as seguintes táticas: recompense as boas atitudes, ignore as negativas, e não leve tudo como uma afronta a sua pessoa.
Geralmente, no dia-a-dia, esquecemos de reconhecer as boas atitudes ou a tomamos como obrigação, logo não precisa ser mencionada. Errado, todos nós gostamos de saber que o outro se sente feliz ao nosso lado, que o outro repara em nossas atitudes e conhece os nossos pontos fortes. Isso me lembra as técnicas recomendadas pela filosofia japonesa Seicho-No-Iê, diga obrigada, expresse o quanto o outro contribue para o seu bem-estar. Agora ignorar as atitudes negativas é uma outra estória, mas a idéia é que todos, animais irracionais ou racionais, necessitamos afeto e aqueles atos que geram frieza tendem a ser esquecidos. Sobre a última tática, não tomar nada pessoalmente, se refere ao fato de que nos momentos de conflito ficamos na defensiva. E na defensiva, potencializamos nosso ego e acabamos sentindo que tudo o que o outro faz e não gostamos é proposital para nos agredir. O conselho aqui é ignore esse seu sentimento e se concentre no que o outro tem de positivo.
O que achei mais interessant nisso tudo foi a conclusão que Sutherland chegou de que ela é quem acabou sendo treinada a medida que ela aprendia como aplicar as técnicas no marido. Mas, a boa parte, é que ele também foi receptivo a essas técnicas e acabou mudando sem saber o porquê. E aqui vai outro conselho ou antes uma constatação não tente mudar ninguém, se existe alguém que você pode realmente mudar é você mesma. Nesses treinos, de animais ou maridos/esposas, ambos acabam aprendendo – treinador e treinado. Quando paramos para observar o outro e demonstrar o nosso contentamento com seus bons aspectos e não fazer caso do seu lado que para nós é negativo; quando aprendemos a nos controlar antes de explodir em criticismos; quando ao invés de nos tomarmos como vítimas em uma relação frustrada, nos concentramos em ser parte ativa da transformação a convivência se torna harmoniosa, satisfatória e feliz. Quem disse que felicidade cai do céu? Sim, temos que trabalhar para conquistá-la.
March 25, 2009 No Comments
No 1º Mundo Até Cachorro é Civilizado
Quando vivemos por algum tempo nos Estados Unidos ou Alemanha, provavelmente em outros países do 1º mundo também, ficamos admirados com o bom comportamento dos animais. Na Alemanha, os cachorros andam de ônibus e vão aos restaurantes com seus donos. A regra é simples eles têm que ficar no lugar reservado a eles nos ônibus ou embaixo das mesas de seus donos nos restaurantes. Nas ruas, os cachorros não latem, não avançam em ninguém e ainda se contêm quando vêm uma cachorra passando ao seu lado.
Nos Estados Unidos, amigos e parentes que nos visitam ficam admirados como conseguem dormir tão bem aqui. Como o interior de Nova Jersey é silencioso em contraste com os latidos incessantes nas vizinhanças brasileiras. Fomos entender melhor o motivo dessa quietude canina em solo americano quando adotamos um filhote de golden retriever. Todas as pessoas ao adotarem um cachorro aqui têm que concordar e se comprometer por escrito que irá castrá-lo e treiná-lo em curso profissional quando ele/ela completar 6 meses. Algumas raças, como a pity-bull, tem que passar por dois cursos para se ter certeza que não sairá do controle do seu dono.
Livros e revistas sobre o assunto não faltam nas livrarias e lojas de artigos para animais domésticos. As vezes chego a pensar que a psicologia desenvolvida para treinar os cachorros, que funciona, evoluiu mais do que a humana. Essa evolução, ao meu ver, se deu em dois nívies. No nível da compreensão de que os animais têm particularidades individuais que têm que ser respeitadas para um convívio sadio e feliz. Por exemplo, encontro sempre na frente de minha casa uma senhora passeando com seu puddle – Bela. Bela não é muito simpática, fica agitada quando vê alguém e sua dona simplesmente mantém o controle encurtando a rédea. Mas, outro dia, depois de tantos outros Bela foi se chegando a mim eu então olhei para a dona e perguntei se podia tocá-la. Ela então me ensinou, “sim, voê pode tocá-la, mas primeiro estenda sua mão aberta para ela, ela irá cheirá-la, e então você pode acariciá-la, mas nunca venha com a mão por cima da sua cabeça pois aí ela fica nervosa.” Em outro nível, a psicologia animal está muito mais evoluída que a humana porque se tornou uma prática normal e aceita por todos. Ninguém fica constrangido por ter que levar o cãozinho para o treinamento, no final fazem até festa para celebrar o diploma de bom comportamento. Os cursos são dados na lojas de produtos para animais e os preços não são exorbitantes. O resultado, a lei existe, todos os cães têm que passar pelo treino, todos podem fazê-lo e assim o convívio com cachorros é mais saudável e sem medos.
Nessas aulas existem algumas regras fixas, como comandar o animal com poucas palavras. Sente, pare, ande, calma. Mas também existe aquele conhecer do temperamento do animal e uma adaptação do dono a essa particularidade. E aqui vai toda a diferença, existe o respeito por aquele ser e antes de uma tentativa de domá-lo aos gritos ou até ameaças físicas, vem o treino de observação do outro. Nos cursos ambos estão aprendendo, o dono e o seu cachorro. O dono que com sua capacidade superior de julgamento e domínio irá aprender como conduzir seu cão de maneira a não despertar seu lado animal irracional – mantê-lo sob controle; do outro lado, o animal vai aprender as regras do bom convívio.
Confesso que muitas vezes me pego perguntando se a psicologia humana tivesse progredido como a animal não evitaríamos os massacres estudantis protagonizados por adolescentes? Se antes de casarmos tivéssemos que fazer um curso para saber lidar com o nosso par evitaríamos os divórcios? Mas este será o assunto de amanhã.
March 24, 2009 No Comments
Ilumininação Garantida
O título acima se refere a um filme alemão produzido por Doris Dorrie em 2002. Trata-se de uma comédia inteligente vivida por dois irmãos. Um deles, comerciante, casado e com filhos pequenos enfrentando o abandono repentino da mulher e filhos. Desesperado, ele procura conforto no irmão (casado, sem filhos, consultor de feng shui e budista). Os dois acabam indo juntos a um retiro no Japão e é onde tudo acontece. Com muito humor, o filme traz o tema budista da iluminação para as situações algumas vezes corriqueiras, outras inusitadas e explora como se manter “dono” da situação seja ela qual for.
March 21, 2009 No Comments
Vik Muniz – Um Brasileiro Brilhando no Mundo
A minha introdução a Vik Muniz se deu através do TED. Surpreendentemente, estava lá um brasileiro com nome meio estrangeiro dando uma palestra sobre sua arte, seu jeito de ver o mundo e tirar dele sua arte. No vídeo, ao qual me refiro, Vik explica com humor como ele saiu de São Paulo rumo a Nova York. Conta ele, que ainda jovem trabalhava com publicidade e chegou receber um prêmio por seu trabalho. Entretanto, saindo da tal cerimônia ao tentar apartar uma briga na porta do teatro acabou sendo baleado. Este incidente o levou a decidir por sair do Brasil.
Já em Nova York, Vik se dedica à fotografar suas criações artíticas feitas com os mais diferentes materiais. Trabalhando com sucata, açucar sobre papel preto, um prato de espageti, chocolate, ou com materiais naturais “manipulados” de forma ousada como nuvens, ou rochas este artista plástico brasileiro inova e nos ensina a desenvolver um olhar criativo. Depois de visitar, ou ver sua arte em seu site www.vikmuniz.net, ou no TED, ou em alguma mostra com certeza as pessoas saem vendo arte nos menores detalhes de seu cotidiano.
Eu realmente encorajo vocês a verem o vídeo abaixo,
March 20, 2009 No Comments
Invasão dos bebês
Ontem no Google News estava a notícia de que o ano de 2007 marcou o record em nascimentos de bebês americanos. Até então, o record anterior datava do pós-II Guerra Mundial. Estas altas ocorrências de natalidade é aqui chamada de baby boom. Os primeiros baby boomers agora na faixa dos 60 anos guardam na memória o desgaste de pertencer a tal era. Em suas escolas, do jardim da infândia ao colegial, as classes estavam mais cheias – o que é tido como comprometedor na qualidade de ensino; os testes para participar de qualquer time de basquete ou futebol era mais competitivo e o mesmo se pode dizer de participar em qualquer outra atividade. Para esta geração, é dito, a vida foi mais difícil. A competição entre eles mesmos aumentava
a fila de candidatos a qualquer emprego e a dificuldade maior estar por vir na aposentadoria que todos já anteviam como comprometida pelo sistema de aposentadoria do governo ter suas falhas e agora mais ainda com a crise financeira.
Com esta experiência acumulada é interessante perceber como os americanos lidam com as estatísticas. Alguns se preocupam em saber quantos bebês nasceram no mesmo ano que seus filhos e a partir daí guiar seu desenvolvimento. Conheço uma família com esse perfil que ao constatar que tal ano foi um dos maiores em natalidade, desde cedo se concentraram em preparar a filha para a alta competição que ela viria a encontrar para o resto da vida. Dessa maneira, desde bebê foi introduzida à piscina não como um mero prazer, mas visando despertar uma potencial competitiva nadadora. Durante a vida escolar, embora a garota fosse não só inteligente mas também aplicada, sempre teve tutores para assegurar que ela estaria nas melhores classes. As férias no período do colegial serviam como preparatório para as futuras aulas em classes avançadas, após consultar os futuros professores sobre os livros a serem indicados, professores particulares eram então contratados para ensinarem a garota a matéria que iria cursar no futuro.
Esta seriedade com que se encara os fatos da vida é uma marca americana. Aqui as pessoas dão certo, não por sorte, ou por apenas conhecer fulano ou ciclano, ou por dar um golpe em alguém, ou entrar na política. Aqui dar certo é o resultado de muito trabalho, de dedicação integral para se conseguir o que se quer. Até mesmo os imigrantes que aqui dão certo o fazem porque trabalham muito para que isso aconteça e as vezes me pergunto: se eles tivessem trabalhado o mesmo tanto em seus países não teriam obtido o mesmo sucesso?
Para os americanos nascidos em 2007 e seus pais, uma coisa é certa, eles não estarão sozinhos em suas buscas de boas escolas, boas ligas esportivas, escolas de música, universidade, empregos . . . Muitas cidades de olho nas estatísticas já devem estar incluindo em suas previsões de empreendimentos a expansão das classes, contratação de professores, fábrica de brinquedos aumentando sua produção, e assim o rolar de consequências é um espetáculo a parte para se ver, estudar, e aprender.
March 19, 2009 No Comments
Isso é que é amor . . .
Olhem só com o que eu me deparei hoje,
March 18, 2009 No Comments