“because the world is round” fui parar em Nova Jersey . . .

O Poder da Escolha

Li em algum lugar que somos o resultado de nossas escolhas, mas (e aqui vai meu pensamento) e se nascemos em um ambiente em que as escolhas são limitadas, ou não sejamos estimulados a fazê-lo? Esta é a uma das principais diferenças, ao meu ver, entre americanos e brasileiros. Não só, em geral, os americanos têm mais poder econômico, oportunidades do que nós no Brasil, mas eles são treinados desde tenra idade a escolher.

Esta diferença se refere a existência  de sociedades individualistas, que prezam o exercício do individualismo (Estados Unidos, Grã Bretanha . . .) em contraste com as coletivistas em que os relacionamentos são reinforçados (Asia, América Latina, . . .). A seguir dou alguns exemplos do exercício da escolha presente na vida cotidiana americana.

As crianças desde cedo são consultadas sobre tudo. “Honey, what do you want? Pasta with tomato sauce, white sauce, green sauce, with cheese on top or on the side, spaghetti or fusilli . . . milk, juice, soda, tea, . . .” “Docinho, o que você quer? Macarrão com molho de tomate, molho branco, ou molho verde, com queijo em cima ou separado, spaghetti ou parafuso . . . leite, suco, refrigerante, chá . . .” E o garçon, aguarda pacientemente, aquela criatura de 2 anos decidir o que lhe apetece. 

No meu primeiro verão em NJ, quando fui registrar o André no “summer camping” aulas de verão que a prefeitura oferecia não pude me furtar de ouvir a conversa da mãe que estava atrás de mim na fila. Uma mãe com três meninas uma de 7, outra de 4 e outra de 2. A mãe preenchendo os formulários e lendo as opções de cursos para as filhas mais velhas e estas escolhendo 2 ou 3 cursos e a pequena de 2 anos gritando, eu também quero escolher, eu quero nadar, dançar, e desenhar. 

Essas escolhas estão presentes em todos os setores da vida americana. Nos supermercados, por exemplo, quando você começa a colocar suas compras na esteira, o empacotador pergunta “paper or plastic?” – papel ou plástico, referindo-se ao tipo de sacola. Você pode escolher um ou outro ou os dois juntos (o saco de papel dentro da sacola de plástico).

Nos restaurantes quando pedimos uma salada, vem a pergunta “dressing?” Os brasileiros e estrangeiros em geral ficam perplexos, o que?, dressing . . . to dress é vestir  . . . dressing = molhos de salada. E aqui vou pedir para vocês olharem em  2.1 Dressings para terem uma idéia do que vai ouvir numa velocidade incrível e dificilmente entender. Alguns dos colegas de trabalho do David, estrangeiros nesta situação inesperada e ao pedir para o garçom repetir as opções e continuar sem entender apenas dizem “a primeira” e seja o que Deus quiser.

Na escola, a partir do 5º ano as crianças começam a escolher algumas poucas atividades – canto coral, banda, nadar, basquete, tênis. No colegial, o currículo é totalmente definido pelo aluno que precisa cumprir alguns requerimentos como 4 anos de Inglês, mas pode escolher literatura americana, literatura inglesa, literatura mundial, contos americanos do século XX  entre uma série de outras ofertas. Assim, em uma típica sala de colegial, existem alunos de todos os anos e dificilmente dois estudantes do mesmo ano vão se cruzar em suas classes. O mesmo se dá nas universidades. Aquele conceito de que a turma do colegial se move junta ano a ano é inexistente aqui. Em geral, as amizades são as feitas no passado, até o 5º ano, no colegial não há clima para se fomentar amizades trocando de turma a cada classe e onde alguns cursos duram apenas um semestre.

Para terminar e exemplificar a extensão da prática da escolha em solo americano, quando nos tornamos cidadãos americanos, após passarmos por uma entrevista – prova oral sobre a história dos Estados Unidos, somos encaminhados a um balcão em que vão rever nossos documentos e nos dar os formulários para serem preenchidos, e somos informados que podemos escolher o nome que quisermos e como o queremos escrito! Quando estive nesta situação, ao me sentar ao lado de um senhor chinês, percebi que ele estava treinando a sua nova assinatura: “David Smith”. Você percebe o poder que a escolha provoca?

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