O Mundo É Mesmo Pequeno!
Alguns anos atrás eu decidi mudar de tinturaria, aqui chamada dry cleaners. Quando saímos de nosso país temos que nos acostumar a mudança de certos padrões nos serviços prestados. Os que mudam para melhor são por nós incorporados como um direito, mas aqueles que caem de qualidade se tornam – a princípio – uma pedra no sapato. Com o tempo percebemos que temos duas opções para driblar o problema, ou aceitar a situação e não reclamar, ou arregaçar a manga e encarar o trabalho.
Alguns anos atrás eu estava fazendo uma peregrinação pelas tinturarias de minha pequena cidade. Na época eu já havia tentado duas e ficado frustrada pois aqui quem passa as roupas são as máquinas que não sabem tirar as rugas ou pregas nos lugares errados. As camisas sociais do David chegavam em casa em estado lastimável. Como a princípio não me conformava com a situação, estava a procura de uma nova tentativa.
Um dia ao sair do correio percebi que havia uma tinturaria quase em frente. Fui até lá e entrei num novo mundo – um templo budista. O cheiro de incenso, o som do sutra cantado por uma voz masculina, e o sorriso da dona, uma senhora asiática me cativaram. Perguntei se era realmente budista e ela contente com minha pergunta me explicou que sim e me apontou para um poster do seu mestre coreano. Fiquei contente com esta primeira experiência e saí dali feliz.
Quando fui buscar a roupa nevava e fazia um frio cortante, o som do mantra se repetia, o cheiro de incenso suavemente compunha o clima, e a coreana sorrindo me perguntou se eu gostava do frio. Eu disse que não, que era brasileira e adorava o calor. Ela então saiu detrás do balcão e me deu um abraço e começou a falar português comigo. Que surpresa! Ela havia morado no Brasil por 10 anos. Na adolescência, em São Paulo, no bairro da Liberdade, frequentou escolas no Brasil e fala um português impecável! Trocamos as nossas saudades do Brasil, pé-de-moleque, maria-mole, coxinha, empada, rimos bastante. Ê, o mundo é mesmo pequeno.
2 comments
Como você mesmo disse, nada é perfeito. No final ela perdeu duas camisas minhas.
David
Lucy, este tipo de história sempre me deixa alegre! Adoro! E achei divertido o comentário do David acima! (he, he, he). Gosto muito do seu blog!
beijo Olga
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