“because the world is round” fui parar em Nova Jersey . . .

Invasão dos bebês

Ontem no Google News estava a notícia de que o ano de 2007 marcou o record em nascimentos de bebês americanos. Até então, o record anterior datava do pós-II Guerra Mundial. Estas altas ocorrências de natalidade é aqui chamada de baby boom. Os primeiros baby boomers agora na faixa dos 60 anos guardam na memória o desgaste de pertencer a tal era. Em suas escolas, do jardim da infândia ao colegial, as classes estavam mais cheias – o que é tido como comprometedor na qualidade de ensino; os testes para participar de qualquer time de basquete ou futebol era mais competitivo e o mesmo se pode dizer de participar em qualquer outra atividade. Para esta geração, é dito, a vida foi mais difícil. A competição entre eles mesmos aumentava a fila de candidatos a qualquer emprego e a dificuldade maior estar por vir na aposentadoria que todos já anteviam como comprometida pelo sistema de aposentadoria do governo ter suas falhas e agora mais ainda com a crise financeira.

Com esta experiência acumulada é interessante perceber como os americanos lidam com as estatísticas. Alguns se preocupam em saber quantos bebês nasceram no mesmo ano que seus filhos e a partir daí guiar seu desenvolvimento. Conheço uma família com esse perfil que ao constatar que tal ano foi um dos maiores em natalidade, desde cedo se concentraram em preparar a filha para a alta competição que ela viria a encontrar para o resto da vida. Dessa maneira, desde bebê foi introduzida à piscina não como um mero prazer, mas visando despertar uma potencial competitiva nadadora. Durante a vida escolar, embora a garota fosse não só inteligente mas também aplicada, sempre teve tutores para assegurar que ela estaria nas melhores classes. As férias no período do colegial serviam como preparatório para as futuras aulas em classes avançadas, após consultar os futuros professores sobre os livros a serem indicados, professores particulares eram então contratados para ensinarem a garota a matéria que iria cursar no futuro. 

Esta seriedade com que se encara os fatos da vida é uma marca americana. Aqui as pessoas dão certo, não por sorte, ou por apenas conhecer fulano ou ciclano, ou por dar um golpe em alguém, ou entrar na política. Aqui dar certo é o resultado de muito trabalho, de dedicação integral para se conseguir o que se quer. Até mesmo os imigrantes que aqui dão certo o fazem porque trabalham muito para que isso aconteça e as vezes me pergunto: se eles tivessem trabalhado o mesmo tanto em seus países não teriam obtido o mesmo sucesso?

Para os americanos nascidos em 2007 e seus pais, uma coisa é certa, eles não estarão sozinhos em suas buscas de boas escolas, boas ligas esportivas, escolas de música, universidade, empregos  . . . Muitas cidades de olho nas estatísticas já devem estar incluindo em suas previsões de empreendimentos a expansão das classes, contratação de professores, fábrica de brinquedos aumentando sua produção, e assim o rolar de consequências é um espetáculo a parte para se ver, estudar, e aprender.

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