Experiência Americana da Pat
O texto abaixo foi escrito por minha sobrinha Patrícia.
Desde criança sou uma pessoa determinada. Estou sempre em busca do novo e vivo intensamente cada minuto da vida. Comecei a fazer aulas de inglês aos 8 anos de idade por insistência do meu pai, porém foi aos 17 anos que a vida me preparou uma surpresa. Como minha tia paterna tinha acabado de se mudar para os EUA, ficou decidido que eu terminaria o colegial por lá – faria o chamado “intercâmbio”.
Fiquei extasiada e principalmente muito ansiosa com a novidade. Sabia que essa experiência seria muito importante para minha vida pessoal e profissional, porém em nenhum momento tive medo, pelo contrário, acredito que se almejamos algo temos que encará-lo de frente.
Em julho de 1996, minha tia, juntamente com meu tio e meu primo vieram rever a família. Dessa maneira, ficou decidido que eu voltaria com eles para os EUA. As experiências novas começaram no momento em que subi no avião . . . foi maravilhoso!!! Quase não dormi . . .rsrsrs
Chegando lá, foi tudo muito diferente, desde o jeito das pessoas se vestirem até o jeito frio de se comunicarem . . . isso sem falar na língua. Eu fazia inglês há alguns anos, mas o que eles falavam não parecia o inglês que aprendi!!! Meus tios fizeram o máximo para eu “aproveitar” o meu novo país: viajei muito, conheci lugares incríveis!!!
Bom já nas partes dos estudos, não encontrei muita dificuldae. Meu primeiro dia de aula foi marcante, pois não sabia onde tinha que ir, ou o que tinha que fazer. Na verdade, não sabia de nada (nem a língua direito). Porém, em momento algum tive medo ou receio de enfrentar tudo isso, pelo contrário, o novo me atrai, encaro os desafios que aparecem na minha vida.
Os dias foram se passando e comecei a fazer amizades . . . acho que se fiquei uma semana almoçando sozinha foi muito, afinal sou muito extrovertida e adoro me relacionar com as pessoas. Confesso que encontrei dificuldades com a língua, mas isso não foi problema, pois as pessoas tinham paciência comigo.
A maioria dos meus amigos eram estrangeiros, talvez por sabermos e passarmos pelas mesmas dificuldades, mas isso não me impediu de ter amigos americanos. Dentre as quatro pessoas especiais que encontrei por lá, uma merece destaque, a minha professora de História Americana, esta me ajudou muito e me deu oportunidades grandiosas.
Não posso dizer que não enfrentei dificuldades, porque eu enfrentei sim, mas algumas eu nem imaginei que enfrentaria. A primeira delas foi a língua. Como tinha estudado anos, achei que dominaria com facilidade, mas que nada, foi difícil. Aqui no Brasil pensamos em português e falamos português, mas para uma comunicação fluir naturalmente, temos que pensar e falar a mesma língua, o que acabou sendo muito difícil.
Outra dificuldade foi o preconceito, passei por duas situações. Eu tinha amizade com algumas garotas afro descendentes. Nunca fui uma pessoa preconceituosa, pelo contrário, a raça negra me atrai, mas nem todos são assim. Eu não sabia que os negros, na escola, se sentavam em lugares diferentes dos brancos. Certa vez, num almoço com minhas amigas africanas, fomos nos sentar do lado dos negros, e adivinha? Eles se levantaram da mesa. Naquele momento, fiquei surpresa e sem entender direito o que estava acontecendo. Até que elas me explicaram que por minha causa, eles haviam pedido para a gente sair dali, caso contrário, eles sairiam. Bom, saímos de lá, mas fiquei chocada!
Outra situação foi quando teve uma campanha para doação de sangue na escola e eu fui participar, porém, por ser estrangeira, não pude doar meu sangue!!! Mais uma vez fiquei chocada, mas como não quis ficar calada fui pedir ajuda para aquela minha professora de História Americana. Ela também não acreditou e fomos juntas reivindicar meus direitos. No final das contas, não doei meu sangue e o argumento deles era que eles estavam seguindo normas.
Se eu tivesse que resumir essa estória, diria que foi uma experiência marcante e inesquecível. Simplesmente eu faria tudo de novo e não mudaria nada!
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