“because the world is round” fui parar em Nova Jersey . . .

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Pedagogia Waldorf III

Como comentei ontem, os brinquedos têm um papel importante no desenvolvimento da criança. Brincando a criança exercita e expande sua criatividade, imaginação e ao mesmo tempo vai adquirindo novas abilidades através do fazer-de-conta. Desta forma, os brinquedos utilizados nas escolas Waldorf são especialmente desenhados e fabricados para atender aos objetivos acima mencionados. Aqui deixo a dica de onde encontrar tais brinquedos antroposóficos e algumas fotos de classes de jardim-da-infância Waldorf.

Potomac Cresent Waldorf School, Washington D.C.

Potomac Cresent Waldorf School, Washington D.C.

 

 

 

Acorn Hill Waldorf School, Washington D.S.

Acorn Hill Waldorf School, Washington D.S.

April 1, 2009   2 Comments

Rumo ao Casamento Ideal

Ontem escrevi sobre o treino eficaz ao qual os cachorros americanos são submetidos com seus donos tornando a convivência com os animais mais segura, satisfatória, e feliz. Pensando sobre isso me ocorreu que a maioria dos casamentos se desgastam pelas pequenas e recorrentes faltas dele e dela. Sabemos que ninguém é perfeito, mas não haveria um meio de nos irritarmos menos mutuamente? Poderiam as técnicas de treinar cachorros funcionar com a nossa outra metade?

Fazendo uma busca na internet, encontrei um artigo na Newsweek de 2008, “Como Treinar Seu Marido” da jornalista Jennie Yabroff. O artigo é um comentário do livro “O Que Shamu Me Ensinou Sobre a Vida, Amor e Casamento” de Amy Sutherland. A autora diz que a técnica funciona para ambos os sexos. No seu experimento, depois de muita frustração com os maus hábitos do marido ela decidiu por o treino canino em teste. Ela experimentou as seguintes táticas: recompense as boas atitudes, ignore as negativas, e não leve tudo como uma afronta a sua pessoa.

Geralmente, no dia-a-dia, esquecemos de reconhecer as boas atitudes ou a tomamos como obrigação, logo não precisa ser mencionada. Errado, todos nós gostamos de saber que o outro se sente feliz ao nosso lado, que o outro repara em nossas atitudes e conhece os nossos pontos fortes. Isso me lembra as técnicas recomendadas pela filosofia japonesa Seicho-No-Iê, diga obrigada, expresse o quanto o outro contribue para o seu bem-estar. Agora ignorar as atitudes negativas é uma outra estória, mas a idéia é que todos, animais irracionais ou racionais, necessitamos afeto e aqueles atos que geram frieza tendem a ser esquecidos. Sobre a última tática, não tomar nada pessoalmente, se refere ao fato de que nos momentos de conflito ficamos na defensiva. E na defensiva, potencializamos nosso ego e acabamos sentindo que tudo o que o outro faz e não gostamos é proposital para nos agredir. O conselho aqui é ignore esse seu sentimento e se concentre no que o outro tem de positivo.

O que achei mais interessant nisso tudo foi a conclusão que Sutherland chegou de que ela é quem acabou sendo treinada a medida que ela aprendia como aplicar as técnicas no marido. Mas, a boa parte, é que ele também foi receptivo a essas técnicas e acabou mudando sem saber o porquê. E aqui vai outro conselho ou antes uma constatação não tente mudar ninguém, se existe alguém que você pode realmente mudar é você mesma. Nesses treinos, de animais ou maridos/esposas, ambos acabam aprendendo – treinador e treinado. Quando paramos para observar o outro e demonstrar o nosso contentamento com seus bons aspectos e não fazer caso do seu lado que para nós é negativo; quando aprendemos a nos controlar antes de explodir em criticismos; quando ao invés de nos tomarmos como vítimas em uma relação frustrada, nos concentramos em ser parte ativa da transformação a convivência se torna harmoniosa, satisfatória e feliz. Quem disse que felicidade cai do céu? Sim, temos que trabalhar para conquistá-la.

March 25, 2009   No Comments

Cozinha Indiana

Entrando na onda Indiana que este ano estrelou no Oscar, no horário nobre da Globo e até na passarela do samba, achei apropriado deixar aqui duas receitas que fazem sucesso com todas as idades.  O meu interesse pela cozinha indiana já vem de longa data, quando ainda em São Paulo fiz um curso com Shoba e Nina duas indianas super simpáticas que ensinavam grupos pequenos. As aulas consistiam de um jantar completo dos aperetivos às sobremesas, tudo era preparado na hora e depois sentávamos à mesa para nos deliciarmos. Depois, em minhas viagens fui colecionando livros e muita prática. As receitas que passo a vocês são comum no dia a dia dos indianos. Um refresco de iogurte e frutas (Lassi) delicioso e saudável, e samosa (pastel).

 

Lassi (minha receita)                                                                    

  • 3 copos de iogurte desnatado
  • 1 copo de água, leite, ou leite de amêndoas
  • 1 copo de manga picada, ou morangos (opcional)
  • açúcar a vontade ou adoçante

Bater tudo no liquidificador e na hora de servir polvilhar sementes de cardamomo em pó. Somente na Alemanha encontramos lassi de banana e em casa prefiro usar frutas doces para evitar o açúcar.

 

Samosa

  • massa para pastel comprada pronta
  • recheio: 2 colheres de sopa de óleo de canola,                                            
  • 1 colher de chá de semente de coentro,
  • 1/2 cebola picada,
  • 1 colher de chá de gengibre ralado,
  • 4 batatas médias cozidas sem casca e cortadas em cubos de 1 cm,
  • 1/2 xícara de ervilha cozida ou em lata,
  • 1 colher de chá de garam masala ou curry em pó
  • pimenta e sal a vontade.

Preparando o recheio: Aqueça o óleo numa frigideira, junte as sementes de coentro e frite até se tornarem marrom escuras. Junte a cebola e o gengibre e continue fritando até dourar a cebola. Junte as batatas e as ervilhas, misture rapidamente, e frite até as batatas começarem a secar. Desligue o fogo. Junte o restante dos ingredientes do recheio, misture tudo e deixe de lado para esfriar.

Dando forma aos pastéis: deixe uma tijela pequena com água próxima à superfície de trabalho. Pegue a massa (comprada em rodelas e corte-as ao meio) forme um cone, humedecendo as bordas para que se unam e preencha o cone com o recheio, humedeça o topo do cone e feche bem, pressionando com os dedos.

Para fritar, aqueça bastante óleo e quando quente mergulhe algumas samosas e ajuste o fogo para médio, frite até dourar. Escorra e deixe secar em papel toalha.

(Em casa eu costumo assar as samosas em forno médio até dourar em tabuleiro untado)

March 17, 2009   1 Comment

O Poder da Escolha

Li em algum lugar que somos o resultado de nossas escolhas, mas (e aqui vai meu pensamento) e se nascemos em um ambiente em que as escolhas são limitadas, ou não sejamos estimulados a fazê-lo? Esta é a uma das principais diferenças, ao meu ver, entre americanos e brasileiros. Não só, em geral, os americanos têm mais poder econômico, oportunidades do que nós no Brasil, mas eles são treinados desde tenra idade a escolher.

Esta diferença se refere a existência  de sociedades individualistas, que prezam o exercício do individualismo (Estados Unidos, Grã Bretanha . . .) em contraste com as coletivistas em que os relacionamentos são reinforçados (Asia, América Latina, . . .). A seguir dou alguns exemplos do exercício da escolha presente na vida cotidiana americana.

As crianças desde cedo são consultadas sobre tudo. “Honey, what do you want? Pasta with tomato sauce, white sauce, green sauce, with cheese on top or on the side, spaghetti or fusilli . . . milk, juice, soda, tea, . . .” “Docinho, o que você quer? Macarrão com molho de tomate, molho branco, ou molho verde, com queijo em cima ou separado, spaghetti ou parafuso . . . leite, suco, refrigerante, chá . . .” E o garçon, aguarda pacientemente, aquela criatura de 2 anos decidir o que lhe apetece. 

No meu primeiro verão em NJ, quando fui registrar o André no “summer camping” aulas de verão que a prefeitura oferecia não pude me furtar de ouvir a conversa da mãe que estava atrás de mim na fila. Uma mãe com três meninas uma de 7, outra de 4 e outra de 2. A mãe preenchendo os formulários e lendo as opções de cursos para as filhas mais velhas e estas escolhendo 2 ou 3 cursos e a pequena de 2 anos gritando, eu também quero escolher, eu quero nadar, dançar, e desenhar. 

Essas escolhas estão presentes em todos os setores da vida americana. Nos supermercados, por exemplo, quando você começa a colocar suas compras na esteira, o empacotador pergunta “paper or plastic?” – papel ou plástico, referindo-se ao tipo de sacola. Você pode escolher um ou outro ou os dois juntos (o saco de papel dentro da sacola de plástico).

Nos restaurantes quando pedimos uma salada, vem a pergunta “dressing?” Os brasileiros e estrangeiros em geral ficam perplexos, o que?, dressing . . . to dress é vestir  . . . dressing = molhos de salada. E aqui vou pedir para vocês olharem em  2.1 Dressings para terem uma idéia do que vai ouvir numa velocidade incrível e dificilmente entender. Alguns dos colegas de trabalho do David, estrangeiros nesta situação inesperada e ao pedir para o garçom repetir as opções e continuar sem entender apenas dizem “a primeira” e seja o que Deus quiser.

Na escola, a partir do 5º ano as crianças começam a escolher algumas poucas atividades – canto coral, banda, nadar, basquete, tênis. No colegial, o currículo é totalmente definido pelo aluno que precisa cumprir alguns requerimentos como 4 anos de Inglês, mas pode escolher literatura americana, literatura inglesa, literatura mundial, contos americanos do século XX  entre uma série de outras ofertas. Assim, em uma típica sala de colegial, existem alunos de todos os anos e dificilmente dois estudantes do mesmo ano vão se cruzar em suas classes. O mesmo se dá nas universidades. Aquele conceito de que a turma do colegial se move junta ano a ano é inexistente aqui. Em geral, as amizades são as feitas no passado, até o 5º ano, no colegial não há clima para se fomentar amizades trocando de turma a cada classe e onde alguns cursos duram apenas um semestre.

Para terminar e exemplificar a extensão da prática da escolha em solo americano, quando nos tornamos cidadãos americanos, após passarmos por uma entrevista – prova oral sobre a história dos Estados Unidos, somos encaminhados a um balcão em que vão rever nossos documentos e nos dar os formulários para serem preenchidos, e somos informados que podemos escolher o nome que quisermos e como o queremos escrito! Quando estive nesta situação, ao me sentar ao lado de um senhor chinês, percebi que ele estava treinando a sua nova assinatura: “David Smith”. Você percebe o poder que a escolha provoca?

March 16, 2009   No Comments

Pedagogia Waldorf (1)

Este será o primeiro artigo de uma série dedicada à pedagogia Waldorf. Aqui irei apenas passar para vocês a impressão que tivemos nos primeiros contatos com tal pedagogia.

Nossa introdução se deu numa palestra que ouvimos muitos e muitos anos atrás. Éramos casados mas nem pensávamos em ter filhos. Ao fim da palestra, do saudoso Dr. Rudolph Lanz, olhamos um para o outro com os olhos ainda vidrados de entusiasmo por esse sistema tão diferente e ao mesmo tempo tão lógico que marcamos a seguir uma visita à Escola Rudolph Steiner, em SP – a pioneira em implantar tal pedagogia no Brasil tendo como co-fundador o do Dr. Lanz. A escola nos pareceu um sonho, numa área que mais parecia um sitio com os prédios em meio as árvores, arbustos e flores, o caramanchão protejendo os jovens no recreio, o jardim da infância numa área reservada e suas várias classes onde as professoras mais pareciam pertencer à família das crianças tal o clima acolhedor e livre de formalidades e ao mesmo tempo um ninho mágico com seus brinquedos de madeira, muita seda, lã, sementes, cores. E para completar o nosso esturpor visitamos as oficinas em que os jovens aprendem encadernação, litrogravura, trabalho com metais, escultura, lapidação de pedras, estamparia de tecidos, entre outras. Em algumas dessas oficinas, pudemos constatar como os jovens estavam envolvidos no que faziam e a atmosfera de camaradagem e vigor existente no local. Ainda ou fundo podíamos ouvir o som de um ensaio de violinos, em outro canto o coral, em outro o ritmado repetir de taboadas.

Ao sairmos da escola nos olhamos e dissemos juntos: “Era aí que eu devia ter estudado”. Já não me lembro quem disse para quem, mas naquele momento decidimos que se viéssemos a ter um filho, estudaria ali. Alguns anos depois, e no dia seguinte ao nascimento de nosso filho o David fez a inscrição dele para dali a quatro anos. Não, não foi exagero. A lista de espera era enorme naquela época e provavelmente continua sendo.

Quando o André começou o Jardim, eu participei do Seminário de Formação de Professores Waldorf. Este foi um ano inesquecível. Todas as vivências, não só intelectuais mas principalmente as artísticas me fizeram conhecer um lado meu até então oculto. Aprendi a olhar o mundo com mais interesse e respeito – passei a me maravilhar com os diferentes tons de verde num parque, com o formato das montanhas, com a grandeza e ao mesmo tempo minuciosidade do mundo animal e aprofundar meu conhecimento sobre educação. Por vários motivos, me furtei do privilégio de ser uma professora Waldorf oficial, porém sei que o fui para André e para parentes, amigas, filhos das amigas porque o que se aprende ali torna-se parte integrante de nosso ser. E este é o motivo pelo qual estarei escrevendo aqui sobre tão valiosa pedagogia.

O que a pedagogia Waldorf tem de diferente? Ela parte do princípio que nós, seres humanos, somos compostos de corpo, mente e espíro e Rudolf Steiner, seu criador, foi capaz de não só perceber isso mas desenvolver um caminho para o desenvolvimento harmônico desses três aspectos, mas isso é o que será abordado no futuro.

Para ver e aguçar a curiosidade

March 13, 2009   No Comments

O Açaí? Quem Diria . . .

Hoje quando acordei o David me chamou para ver o artigo que saiu no Le Monde, de autoria de Jean Pierre Tuquoi, o título? O Açaí: a Fruta da Globalização. No texto o autor explica a origem do açaí nos recônditos brasileiros, suas propriedades antioxidantes e agradece a globalização por permitir que outros países também possam apreciá-lo. O açaí também foi conquistando seu espaço nos Estados Unidos no ano passado, quando aos poucos foi invadindo os supermercados em forma de suco e com um marketing bem feito destacando os benefícios que essa fruta traz à saúde.  Até a Oprah dedicou parte de seu programa, outro dia, para enaltecer e divulgar as maravilhas dessa pequena fruta.

É, as coisas mudam; há dez anos atrás sentíamos saudade do Brasil de uma maneira muito mais intensa. Não só sentíamos falta dos parentes, amigos, do calor humano e do calor tropical mas ansiávamos pelas frutas brasileiras, os nossos biscoitos, o queijo minas e outras tantas coisas. Parece tolice perder tempo com estas lembranças, mas só quem saiu do lugar onde cresceu para saber como dói a falta das coisas simples a que estávamos acostumados.

Há dez anos atrás eu ficava sedenta por água de côco e quando vi na prateleira de um mercado mexicano não hesitei em comprar e a decepção foi terrível. Tratava-se de uma água turva decorrente da mistura de água, algumas lascas de côco e muito açúcar. Frutas como manga ou mamão era perda de tempo e dinheiro comprar, pois nunca amadureciam. 

De repente, há certa de 5 anos o panorama começou a mudar. Um supermercado novo trouxe panetone Bauducco, mamão comestível, maracujá, um queijo branco mexicano que se assemelha ao nosso minas. Aos poucos, outros mercados começaram a fazer o mesmo. Isso acontece não só com os produtos brasileiros, mas também com os vindos da Ásia, México e Europa. 

Entretanto, o destaque atual são o açaí e o mangostim – fruta pouco conhecida até mesmo pelos brasileiros. O mangostim (nem sei se é assim que se escreve em português)  nos Estados Unidos vendid0 em forma de suco ou em cápsulas é citado até mesmo pela Clínica Mayo (renomada clínica que utiliza tanto a medicina tradicional como a alternativa em seus tratamentos) como um anti-inflamatório natural e recomendado com sucesso para os casos de artrite. Até a minha querida água de côco hoje é vendida nos Estados Unidos em lata, em caixinhas ou em embalagens de um litro. E pasmem outro dia encontrei o biscoito wafle recheado da Bauducco (não, não estou ganhando nada com publicidade). Só espero que esta lista continue crescendo e que o Brasil possa tropicalizar o mundo.

March 5, 2009   1 Comment