“because the world is round” fui parar em Nova Jersey . . .

Category — Psicologia Positiva

Coragem

Uma das virtudes que mais me chamam atenção é a coragem. Ela é universalmente louvada nos atos heróicos do soldado defendendo sua pátria, daquele que arrisca sua própria vida para salvar uma criança, ou daqueles que arriscam a vida em protestos contra injustiças. Às vezes quando lemos sobre Gandhi ou Martin Luther King chegamos a nos sentir pequenos e incapazes de enfrentar tais batalhas, mas a verdade a meu ver é e que a vida constantemente nos dá chance de praticar essa virtude. Lembro sempre como fiquei impressionada com a coragem de minha sobrinha Patrícia quando ela veio fazer intercâmbio. Na época ela estava com 17 anos e no primeiro dia de aula à deixei na escola e pensei: “Que coragem! Chegar num ambiente desconhecido, sem dominar a língua, e com que determinação ela enfrenta esse desafio.” E imediatamente lembro como meu filho passou o mesmo aos 8 anos na Alemanha e tantas outras crianças e jovens vêm fazendo a todo momento. Embora aqui haja uma diferença, o ato de coragem da Patrícia foi voluntário e do meu filho forçado – já que foi nossa a decisão de expô-lo a tal experiência. Entretanto, devido a sua pouca idade, estou certa de que André ganhou muito com a experiência e provou a si mesmo ser capaz de lidar com situações novas e desafios.

Não é de estranhar que a coragem seja um dos traços positivos  que os pesquisadores em prevenção às doenças mentais descobriram recentemente. A coragem, segundo Dr. Seligman, leva o indivíduo a exercitar a vontade  na tentativa de conseguir algo de valor onde não há a certeza da conquista. Entretanto, para um ato ser considerado de coragem ele tem que ser feito em meio à adversidades e ser um composto de três outras virtudes: valor, perseverança e honestidade.

Valor aqui se refere a aspectos intelectuais e emocionais que guiam a ação do indivíduo em situações difícies, perigosas, ou embaraçosas. A pessoa de valor consegue driblar a típica resposta comportamental ante uma situação de risco – lutar ou fugir dali. Tal indivíduo age de acordo com seus princípios sem se intimidar com as dificuldades. A pessoa perseverante termina o que começou; faz o que diz que ía fazer e às vezes mais, nunca menos. Honestidade se refere aqui a ser verdadeiro consigo mesmo, não pretender ser aquilo que não é.  A Patrícia chegou aqui acreditando em si mesma, não se intimidou aos desafios de cursar as classes americanas e competir com alunos que nasceram e cresceram aqui, se esforçou em dar o melhor de si, conseguiu boas notas, elogios dos professores, e o resultado foi um tremendo sentimento de bem-estar consigo mesma, de se saber capaz de vencer desafios. Eu poderia citar aqui inúmeros casos de coragem vivida no cotidiano das pessoas mas deixo aqui espaço para você pensar e se quiser dividir conosco outros exemplos do dia-a-dia.

(Mais sobre o assunto pode ser encontrado no livro Felicidade Autêntica de Martin Seligman.)

April 7, 2009   No Comments

Psicologia Positiva (1)

O estudo de psicologia sempre me atraiu. Lembro que meu primeiro contato com esta ciência (?) se deu quando eu tinha 13 anos. Uma amiga me convidou para assistir umas palestras, aos domingos pela manhã, na garagem de um homem de idade (a porta ficava aberta, caso você desconfie das boas intenções dele). Não sei se ele era psicólogo, mas ele explicava Freud entre outros. O público era pequeno, fui lá umas duas ou três vezes e fiquei para sempre interessada nesse assunto.

No Brasil, não tive oportunidade de estudar formalmente psicologia, mas quando cheguei aos Estados Unidos vi na televisão pública um anúncio sobre um curso de introdução à psicologia, de nível universitário, que iria ser transmitido via TV. Não perdi tempo e me inscrevi. Estudava-se em casa, as aulas televisadas eram complementadas por um livro e tínhamos que fazer três testes em algum Community College. Na época meu inglês era rudimentar. Vocês podem imaginar quanto tempo eu levava para ler um capítulo do livro com o dicionário do lado. 

Como tudo é possível aqui, anos mais tarde, fui aceita na Universidade de Pensilvânia – uma das mais bem conceituadas do país e do mundo, e claro que optei por estudar psicologia. Muito poderia ser dito desta experiência, porém aqui destacarei a psicologia positiva. Essa linha de psicologia tem entre seus fundadores o dr. Martin Seligman (da minha escola). A cerca de 10 anos atrás, depois de ter se dedicado à psicologia tradicional que se preocupa com distúrbios de comportamento, problemas mentais e emocionais, dr. Seligman se perguntou porque não estudamos as pessoas que deram certo, as bem sucedidas e que nos atraem pela sua aura de auto-confiança, sucesso, bondade? E assim surgiu a psicologia positiva que estuda o que faz as pessoas se sentirem felizes consigo mesmas e com o mundo. 

O pensamento do dr. Seligman então passou a ser vamos aprender como cultivar os bons hábitos que tornam as pessoas felizes e saudáveis psiquicamente e assim estaremos prevenindo males psiquicos e físicos. Em seus livros,  com  uma linguagem direta, ele  nos conduz cientificamente pelos caminhos que conduzem a uma vida feliz. No Brasil, pode-se encontrar dois (talvez mais) de seus livros Aprenda a ser Otimista e Felicidade Autêntica. 

Por esta linha de pensamento a felicidade, ao invés de depender unicamente de elementos externos (carro, casamento, divórcio, filhos, dinheiro) é uma decisão pessoal e só é alcançada através de um zêlo constante ao seu cultivo. Dito nas palavras do Dalai Lama, “A felicidade é um estado mental. Mesmo rodeado de confortos físicos  . . . se sua mente está ainda em estado de confusão e agitação, isso não é felicidade. Felicidade significa paz mental.”  


March 14, 2009   1 Comment