Category — Filmes
A Ilha
Ontem vi um filme que ficará na minha lista de especiais. A Ilha, em português sei que existem outros filmes com esse nome, este se trata de um filme russo, Ostrov. Foi lançado em 2006 e recebeu inúmeros prêmios. Trata-se de um homem que trabalha alimentando o forno de uma embarcação a vapor na época da II Guerra. Na tal embarcação estão somente ele e o capitão quando são abordados por um navio alemão. Os dois pulam do barco e se refugiam em uma pilha de carvão (ou algo semelhante) próximo de onde o barco estava. Os militares encontram nosso amigo e o golpeiam cruelmente ordenando que revele o paradeiro do capitão. Ele acaba cedendo e então é ordenado a matá-lo.
Esta lembrança e culpa o acompanhará até o fim de sua vida. Ele é resgatado por residentes locais e então o vemos anos depois vivendo solitariamente numa ilha, tido como um santo apesar de se dizer um pecador. Irmão Anatoly se tornou um excêntrico, um louco divino, que incomoda os seus irmãos ortodoxos do mosteiro local, mas ao fim é nele que buscam refúgio em suas crises ou dúvidas. Somente na última semana de sua vida, por ele assim anunciada já que os desígnios de Deus são abertos ao seu conhecimento, ele encontra com aquele capitão que imaginava ter matado.
E aqui fico pensando, teria ele se tornado um santo se não carregasse a culpa pela morte de seu superior? Ele e Deus eram um, não sabia ele desde sempre que não havia cometido o crime? O fato do capitão ter reaparecido o exime de qualquer culpa? Parece que não, ao fim, quando ele em trajes mortuários entra no caixão que ele mesmo fez para embraçar sua morte, ainda em sua última prece, pede perdão aos seus pecados. A intenção de matar, mesmo que sob coerção, é um crime? Crimes de guerra continuam sendo crime?
Todas essas perguntas perdem o sentido para aquele santo que não perde tempo com questionamentos mentais, mas se entrega de corpo e alma ao serviço do divino. As suas aparentes loucuras incomodavam alguns cléricos mas não ao povo sofrido que vinha em busca de milagres. Sua vida simples, de purificação sem dúvida provoca muita reflexão sobre nossas justificativas para nos distanciarmos daquilo que é realmente importante em nossa existência.
April 19, 2009 No Comments
Ilumininação Garantida
O título acima se refere a um filme alemão produzido por Doris Dorrie em 2002. Trata-se de uma comédia inteligente vivida por dois irmãos. Um deles, comerciante, casado e com filhos pequenos enfrentando o abandono repentino da mulher e filhos. Desesperado, ele procura conforto no irmão (casado, sem filhos, consultor de feng shui e budista). Os dois acabam indo juntos a um retiro no Japão e é onde tudo acontece. Com muito humor, o filme traz o tema budista da iluminação para as situações algumas vezes corriqueiras, outras inusitadas e explora como se manter “dono” da situação seja ela qual for.
March 21, 2009 No Comments
Um Visto para o Céu/Depois da Vida
Não sou macabra, pessimista, deprimida, suicida, apenas gosto de filmes que nos façam pensar sobre nossa própria vida. Apesar de pensarmos que nossa vida seja especial e única, afinal de contas onde fica a nossa originalidade, ficamos surpresos com as mesmices que se repetem em nossas andanças. Essas mesmas repetições vemos representadas no cinema, teatro e novelas. Muitas vezes quando começamos a ver um filme já sabemos como vai acabar e geralmente mal saímos do cinema já o esquecemos. Outros, porém, são tão originais que nos pegam de surpresa e nos levam à reflexão e a querer revê-los. Este é o caso dos dois filme que irei comentar para vocês – Depois da Vida e Um Visto para o Céu.
Os dois filmes tratam da vida após a morte com humor e ao mesmo tempo sendo profundos. Um Visto para o Céu, produção americana de 1991, com Meryl Streep e Albert Brooks, trata de uma região a qual as almas chegam após a morte e onde passam por uma revisão de suas vidas na busca dos momentos inegoístas que justifiquem o prosseguimento dessas almas para o Céu ou o regresso à Terra. O personagem de Albert Brooks, um executivo arrogante e cego ao próximo em vida, é atraído pela virtuosa e cativante personagem de Meryl Streep. O filme nos faz rir e nos perguntar como nos sairíamos se estivéssemos ali.
Um Visto para o Céu, produção japonesa de 1998, com um humor mais sutil e um orçamento mais modesto, nos leva a uma outra situação. As almas chegam ao que parece ser um hotel muito simples onde são apresentadas a um guia que em três dias as ajudará a encontrar na memória uma certa lembrança feliz. Esta, após ser revivida em um filme, será a única que persistirá para a eternidade e o resto da memória inteira será apagada. As situações que esta tarefa gera são muito interessantes, as vezes delicadas e nos levam a pensar em qual nós escolheríamos.
Recomendo esses filmes para serem vistos num momento de calma. Eles não são tristes e tampouco nos induzem à tristeza; com certeza você irá rir em certos momentos e relembrar os muitos bons momentos de sua vida e quem sabe chegar a um insight sobre o que é realmente importante na vida.
March 9, 2009 1 Comment