No 1º Mundo Até Cachorro é Civilizado
Quando vivemos por algum tempo nos Estados Unidos ou Alemanha, provavelmente em outros países do 1º mundo também, ficamos admirados com o bom comportamento dos animais. Na Alemanha, os cachorros andam de ônibus e vão aos restaurantes com seus donos. A regra é simples eles têm que ficar no lugar reservado a eles nos ônibus ou embaixo das mesas de seus donos nos restaurantes. Nas ruas, os cachorros não latem, não avançam em ninguém e ainda se contêm quando vêm uma cachorra passando ao seu lado.
Nos Estados Unidos, amigos e parentes que nos visitam ficam admirados como conseguem dormir tão bem aqui. Como o interior de Nova Jersey é silencioso em contraste com os latidos incessantes nas vizinhanças brasileiras. Fomos entender melhor o motivo dessa quietude canina em solo americano quando adotamos um filhote de golden retriever. Todas as pessoas ao adotarem um cachorro aqui têm que concordar e se comprometer por escrito que irá castrá-lo e treiná-lo em curso profissional quando ele/ela completar 6 meses. Algumas raças, como a pity-bull, tem que passar por dois cursos para se ter certeza que não sairá do controle do seu dono.
Livros e revistas sobre o assunto não faltam nas livrarias e lojas de artigos para animais domésticos. As vezes chego a pensar que a psicologia desenvolvida para treinar os cachorros, que funciona, evoluiu mais do que a humana. Essa evolução, ao meu ver, se deu em dois nívies. No nível da compreensão de que os animais têm particularidades individuais que têm que ser respeitadas para um convívio sadio e feliz. Por exemplo, encontro sempre na frente de minha casa uma senhora passeando com seu puddle – Bela. Bela não é muito simpática, fica agitada quando vê alguém e sua dona simplesmente mantém o controle encurtando a rédea. Mas, outro dia, depois de tantos outros Bela foi se chegando a mim eu então olhei para a dona e perguntei se podia tocá-la. Ela então me ensinou, “sim, voê pode tocá-la, mas primeiro estenda sua mão aberta para ela, ela irá cheirá-la, e então você pode acariciá-la, mas nunca venha com a mão por cima da sua cabeça pois aí ela fica nervosa.” Em outro nível, a psicologia animal está muito mais evoluída que a humana porque se tornou uma prática normal e aceita por todos. Ninguém fica constrangido por ter que levar o cãozinho para o treinamento, no final fazem até festa para celebrar o diploma de bom comportamento. Os cursos são dados na lojas de produtos para animais e os preços não são exorbitantes. O resultado, a lei existe, todos os cães têm que passar pelo treino, todos podem fazê-lo e assim o convívio com cachorros é mais saudável e sem medos.
Nessas aulas existem algumas regras fixas, como comandar o animal com poucas palavras. Sente, pare, ande, calma. Mas também existe aquele conhecer do temperamento do animal e uma adaptação do dono a essa particularidade. E aqui vai toda a diferença, existe o respeito por aquele ser e antes de uma tentativa de domá-lo aos gritos ou até ameaças físicas, vem o treino de observação do outro. Nos cursos ambos estão aprendendo, o dono e o seu cachorro. O dono que com sua capacidade superior de julgamento e domínio irá aprender como conduzir seu cão de maneira a não despertar seu lado animal irracional – mantê-lo sob controle; do outro lado, o animal vai aprender as regras do bom convívio.
Confesso que muitas vezes me pego perguntando se a psicologia humana tivesse progredido como a animal não evitaríamos os massacres estudantis protagonizados por adolescentes? Se antes de casarmos tivéssemos que fazer um curso para saber lidar com o nosso par evitaríamos os divórcios? Mas este será o assunto de amanhã.
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